Então, acabou mais um reality show e com incrível audiência. E por quê? Definitivamente reality shows se tornaram febre em todo o mundo. São variados temas e formatos com retorno de público garantido. Em minha opinião a resposta é simples assim: SHOW DE REALIDADE, literalmente isso o atraente destes espetáculos. Como pessoas em nossa existência humana, vivemos cegos para nós mesmos e a projeção a principal defesa. Nela nos identificamos enquanto nos protegemos do que não gostamos e assim parece ser mais fácil evoluir. Mas, evoluir com um reality show? Para o bem ou para o mal, esta escolha é pessoal, mas não é isso o que pretendo discutir agora. Especificamente neste reality, A Fazenda, teve sua novidade por aqui com o apelo rural que apresentou e principalmente por ter colocado os participantes, os quais tenho chamado pseudo-artistas, para trabalharem pesado diariamente na manutenção da sede e da fazenda em si. Horário para levantar sem direito a atrasos ou descumprimento das tarefas sob ameaças de penalidades. Ao final desta edição gerou-se uma polêmica: enfim, o personagem principal falseou? Ele interpretou todo o tempo? Foi apenas um estrategista exemplar? A resposta é Não, ele não fingiu. E Sim, interpretou tantas vezes foi necessário. A grande discussão deveria ter sido: qual foi a intenção do vencedor? Foi do bem ou do mal? Essa a grande diferença entre ser falso ou verdadeiro. Show de Realidade. Concluí que este formato de reality de confinamento é a projeção exata do que fazemos para viver. Neste programa especificamente mais ainda considerando que os participantes tinham de trabalhar diariamente com horários definidos. Ouvi um dos administradores do programa dizer que no contrato que assinam está bem esclarecido que se trata de um jogo de convivência. Ora, mas se não é isso o que fazemos diariamente em nossas vidas, praticar um jogo de convivência? Vivemos nosso dia a dia na grande batalha da sobrevivência e da vontade da vivência, e isso nos custa muito empenho, sendo ora verdadeiro ora interpretando. Não expomos toda nossa verdade e isso é fato. Quem o fizer é engolido sem tempo para defesa. Permitimos a nós tal exposição inteira apenas para os nossos e ainda assim, precisamos de individualidade. No entanto, neste programa, aconteceu uma peculiaridade curiosa que deixou esta atração imensamente atraente: os participantes, até então desconhecidos entre si, despiram-se justamente de suas defesas. Por mais estranho que seja dizer isso, eles viveram liberdade no confinamento. Isso provocado pela natureza em si, o espaço bastante para percorrerem, os animais, um por do sol incrível e claro, um ótimo cachê garantido. Tudo colaborou para movimentar as emoções deles ao limite e como resultado a variedade humana se mostrou com toda a complexidade de suas vidas pessoais. Violência doméstica, criação com mãe solteira, abandono, vaidade, futilidade, imaturidade, solidão, força de vontade, fé. Realidades comuns do brasileiro e do ser humano. De tudo isso, o amor e amizade foram os principais ingredientes. A dupla vencedora brigou neste confinamento com suas armas mais profundas: a vontade da verdade, da fé, do amor e do amadurecimento, mesmo que para isso ainda fosse, em muitas vezes, preciso falsear para alcançar. Artimanhas cabíveis e praticáveis em nosso cotidiano sem necessariamente causar prejuízos para outrem. (Intenções) Na contra corrente, vinha um vencedor da vida, brasileiro típico de nascimento e com a intensa vontade velada para ele mesmo, da excelência. Sofrido pela vida, não se permite sentir e por conta disso, duvida de quem pratica o sentir intensamente. Lhe parece falso. Essa a verdade para todos nós acostumados à mentira e falsidade de intenções. E lançou-se a dúvida, afinal quem é mais vencedor: aquele que brigou pela vitória na vida com objetividade e braveza ou aquele que ainda busca esta vitória sentindo? O objetivo central do programa era o entretenimento e não premiar a história de vida mais sofrida e por isso, não foi esse o final escolhido. Mas, a confusão se formou. Eu digo que a verdade e o amor venceram no final e isso o que buscamos no momento da nossa realidade brasileira. O querido Carlinhos é exatamente a representação no nosso excelentíssimo presidente, que no quesito verdade hoje é zero. O casal vencedor é o exemplo da luta em parceria comprometida com a tolerância, amizade, cumplicidade, transparência e principalmente, amor fraterno. O vencedor representa hoje nossa vontade de amadurecimento e principalmente, a vontade da verdade. E é incrível para eu perceber como é difícil ao brasileiro viver com isso, com a vontade da verdade, porque a dúvida sobre as intenções do vencedor está sendo mais fácil de aceitar como uma estratégia válida para o objetivo final que foi ganhar o tal milhão de reais. E esta realidade torta foi plantada pelo próprio Carlinhos e talvez por isso mesmo, ele perdeu. Lançou para o seu principal rival, a dúvida da trapaça, que com o carisma todo que ele tem, ficou fácil de vencer o jogo. Ele, Carlinhos, se enfraqueceu quando se colocou como o representante do brasileiro vencedor na honestidade. Me entristeceu imensamente o desfecho deste programa, pois para mim a maior emoção estava justamente na intenção da verdade do coração destes dois finalistas que ficariam como exemplo do bem, que tanto precisamos neste momento. Mas, como foi dito dentro do programa, numa conversa entre o próprio Carlinhos com Danni Carlos, a verdade sempre aparece, mesmo que ainda demore... Faltou coragem de o público assumir a briga pela verdade, assim como, fazemos frente o cenário político atual. Não quis discutir aqui tal validade didática válida ou não para estes tipos de programas. Apenas deixar uma reflexão sobre o Reality Show que vivemos comumente em nosso cotidiano, a partir das questões levantadas sobre o falso e o verdadeiro. Sou otimista e por vezes, utópica e eu quero que a verdade e o coração vençam no final.
è facil achar que o tempo passa rápido. E deixar de entender situações que podem servir de exemplo daquilo que queremos ver acontecer.
Ao prestar atenção em um ambiente tão especialmente projetado para confinar estes participantes, Você consegue nortear o que haja de importante a ser visto.
Parabéns pelo seu post, vc além de escrever muito bem, conseguiu fazer uma "análise" dos jogadores e retratar o motivo pelo qual gostamos dos "reality's".
Olá! Sejam todos bem vindos! Aqui vou partilhar com vocês meus acidentais pensamentos, observações, esquisitices, chatices, loucuras, aventuras, idéias, cultura... Expressões e atitudes de âmbito multiracial e multiplural. Sem preconceitos nem dogmas. Desejo sua participação mesmo que apenas lendo, ou rindo, e por que não chorando; até mesmo gritando... Vivendo e existindo, que é o fundamental! Tudo será válido! Mas atitudes positivas serão privilegiadas. Devemos cooperar por uma humanidade realmente solidária e generosa. Gentil, educada e respeitosa porque a fisiologia fundamental para o funcionamento da máquina viva é igual para todo ser vivo. Então, Saúdas!!!
Esclarecimentos
(originalmente o blog deveria chamar apenas ACIDENTE, mas adaptações foram necessárias.) Significado da palavra ACIDENTE de acordo o dicionário Houaiss: {verbete} DataçãosXIV cf. IVPMAcepções■ substantivo masculino 1 acontecimento casual, fortuito, inesperado; ocorrência Ex.: a descoberta da América foi um feliz a. 1.1 qualquer acontecimento, desagradável ou infeliz, que envolva dano, perda, lesão, sofrimento ou morte Ex.: o a. matou a família inteira 2 fato acessório; qualidade particular, pormenor Ex.: a pontualidade é um a. na sua rotina (...) 6 Rubrica: filosofia. no pensamento aristotélico e escolástico, aspecto casual ou fortuito de uma realidade, que, por esta razão, é irrelevante para a compreensão do que nela é essencial e imprescindível (p.ex., a cor azul de um tecido é um acidente que, por sua presença, não transforma a natureza essencial desse objeto) Obs.: p.opos. a essência e substância 7 Rubrica: lingüística. cada um dos modos por que uma coisa se apresenta, em oposição à substância e aos atributos que constituem a sua essência [Na gramática tradicional, a oposição acidente/substância fundamenta a distinção adjetivo/substantivo ou verbo/substantivo.] (...) Etimologialat. accìdens,entis 'acidente, acontecimento, o que sucede', part.pres. de accidère 'cair, chegar, acontecer, sobrevir', este de ad- + cadère 'cair'; ver cai-; f.hist. sXV acidente, sXV acçidente, sXV açidemte Sinônimos: ver sinonímia de peripécia, revés e tribulação Antônimos: essência, substância; ver tb. antonímia de desdita e sinonímia de vitória
2 comentários:
valem muito suas observações Iris.
è facil achar que o tempo passa rápido.
E deixar de entender situações que podem servir de exemplo daquilo que queremos ver acontecer.
Ao prestar atenção em um ambiente tão especialmente projetado para confinar estes participantes, Você consegue nortear o que haja de importante a ser visto.
Um beijo.
Íris!
Parabéns pelo seu post, vc além de escrever muito bem, conseguiu fazer uma "análise" dos jogadores e retratar o motivo pelo qual gostamos dos "reality's".
Bjs Rita
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