sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Aromas de pães e laranjeiras



Foi passeando no molhado como diz a canção e assoviando a esmo criações dele daquele instante de inspiração, que se dirigia a padaria. Não era compositor de maneira nenhuma, mas sabe os dias nos quais se acorda cheio duma motivação engraçada com a vida? Em pura energia? Pois foi um desses dias. E muito estranhamente num momento nublado de garoa, pois de maneira geral eram nos climas de sol que se sentia assim especialmente. Acordou cheio de fome e vontade de comer um pãozinho bem fresquinho e com toda essa vontade que foi ao encontro da padaria um tanto mais distante, porém garantida de qualidade ótima. Que delícia, pensou, pois viu escrito na faixa de fronte: “Hummm! Pão fresquinho a toda hora!!!” Mais perfeição impossível! Estando ao balcão fazendo seu pedido de cinco pães do francês ouviu a doçura da voz dela surgida tranquilamente decidida querendo o mesmo. Ele percebeu perfumes difusos no ar de fermento quente e laranjeiras. Sem explicação. Olhou para ela distraída com outras comidas à mostra, principalmente com o pedaço do bolo de mel. Ela levou o dedo à boca, muito provavelmente questionando o pecado daquele desejo. Imediatamente ele mudou o foco enxergando o pão quente aberto ao meio lambuzado na manteiga derretida pelo calor e sentiu todo o sabor daquela mordida querida. O balconista chamou-o para entregar o pacote que já não tinha mais o interesse. Ele fez uma hora por ali aguardando o avanço dela até o caixa e foi atrás. Ela levou o pedaço do  bolo de mel também. De tão próximo, esbarraram-se e toda gentil ela, imaginando ser a culpada, desculpou-se pela distração. Ele não teve dúvidas frente à oportunidade e numa correria fez a proposta: - Você é linda. Eu quero seu telefone, mas posso entregar meu cartão se preferir. Eu o tenho na carteira. Posso garantir que ficarei com o celular a mão. A operadora do caixa parou com tudo e de olhos bem abertos somente mexia as vistas como assistisse uma partida de tênis. Em resposta, ela tomou ar e sorriu simpática dizendo: - Ok, me dê seu cartão e quem sabe. Você foi adorável. Bom dia! – Pagou rapidamente e sumiu na calçada. Ele de volta em casa, espalhou os pães quentes a mesa para continuar a sentir aquele aroma. Pegou seu celular, a manteiga e a faca. Entorpecido, excedeu-se de comer os pães franceses frescos. Aquele dia passou e nenhuma ligação de volta. Tudo bem, ele pensou, amanhã compro pão de queijo.

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