Foi
passeando no molhado como diz a canção e assoviando a esmo criações dele
daquele instante de inspiração, que se dirigia a padaria. Não era compositor de
maneira nenhuma, mas sabe os dias nos quais se acorda cheio duma motivação
engraçada com a vida? Em pura energia? Pois foi um desses dias. E muito
estranhamente num momento nublado de garoa, pois de maneira geral eram nos
climas de sol que se sentia assim especialmente. Acordou cheio de fome e
vontade de comer um pãozinho bem fresquinho e com toda essa vontade que foi ao
encontro da padaria um tanto mais distante, porém garantida de qualidade ótima.
Que delícia, pensou, pois viu escrito na faixa de fronte: “Hummm! Pão
fresquinho a toda hora!!!” Mais perfeição impossível! Estando ao balcão fazendo
seu pedido de cinco pães do francês ouviu a doçura da voz dela surgida
tranquilamente decidida querendo o mesmo. Ele percebeu perfumes difusos no ar
de fermento quente e laranjeiras. Sem explicação. Olhou para ela distraída com
outras comidas à mostra, principalmente com o pedaço do bolo de mel. Ela levou
o dedo à boca, muito provavelmente questionando o pecado daquele desejo.
Imediatamente ele mudou o foco enxergando o pão quente aberto ao meio lambuzado
na manteiga derretida pelo calor e sentiu todo o sabor daquela mordida querida.
O balconista chamou-o para entregar o pacote que já não tinha mais o interesse.
Ele fez uma hora por ali aguardando o avanço dela até o caixa e foi atrás. Ela
levou o pedaço do bolo de mel também. De tão próximo, esbarraram-se e
toda gentil ela, imaginando ser a culpada, desculpou-se pela distração. Ele não
teve dúvidas frente à oportunidade e numa correria fez a proposta: - Você é
linda. Eu quero seu telefone, mas posso entregar meu cartão se preferir. Eu o
tenho na carteira. Posso garantir que ficarei com o celular a mão. A operadora
do caixa parou com tudo e de olhos bem abertos somente mexia as vistas como
assistisse uma partida de tênis. Em resposta, ela tomou ar e sorriu simpática
dizendo: - Ok, me dê seu cartão e quem sabe. Você foi adorável. Bom dia! –
Pagou rapidamente e sumiu na calçada. Ele de volta em casa, espalhou os pães
quentes a mesa para continuar a sentir aquele aroma. Pegou seu celular, a
manteiga e a faca. Entorpecido, excedeu-se de comer os pães franceses frescos.
Aquele dia passou e nenhuma ligação de volta. Tudo bem, ele pensou, amanhã
compro pão de queijo.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
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