domingo, 10 de janeiro de 2010

Sofreguidão



Sofreguidão. Sentindo-se assim saí naquela tarde nublada de insistentes chuviscos finos e frios. Caminhava pelo bairro admirando aos prédios novos com arquitetura inventiva. Ruas tranqüilas com poucos carros e pessoas circulando comigo. Todos possivelmente experimentando uma mesma sensação de solidão. Sozinhos em seus pensamentos. Eu prosseguia pisando firme na calçada marcando minha angústia. “Vai embora sem arrependimentos. Joga-se aos bueiros. Aproveita dos chuviscos e escoa Sr. Sentimento Amargo”. Opa, paradinha estratégica na padaria. Muito conveniente. Chiquérrima e cheia de pecados. Mas quem inventou isso? A fome e a miséria, claro. Comi salgados, doces e o cappuccino não poderia faltar. Adoro! Depois de um sorriso simpático meu à operadora do caixa, porque a conta não importa mais agora, saio para seguir aos paralelepípedos. Nossa, mas que cão mais lindo! Me peguei encantada com um Colie de pelo longo. – Que lindo seu cão! De verdade, me fez lembrar a infância. – irresistivelmente exclamei ao seu dono. – Eu te entendo, Lassie. Por isso eu escolhi esta raça. E ficamos ali umedecidos pelo chuvisco teimoso a trocar idéias sobre tais lembranças e a doçura do cão, ainda que trabalhoso deixá-lo assim tão atraente. Sorrisos e olhares a se perderem de foco, o adeus com bom dia. Aos deuses meus agradecimentos. Consigo enxergar por detrás do céu cinzento. Minha imensa vontade agora é entrar no mercado mais próximo e comprar espaguete italiano, tomates frescos e salada de folhas escuras. Acho que acabou o azeite, preciso deste também. Vinho já tenho, nunca deve faltar na dispensa. Meu jantar vai ficar ainda melhor com a presença da minha amiga mais querida para as baladas animadas. Tudo arranjado agora. A noite está apenas começando. Amanhã não haverá tempo ruim, há um lindo colie passeando na calçada.

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